Papa diz que "ódio" e "violência" em nome de Deus são injustificáveis

Pontífice, que participa de visita histórica à Península Arábica, fez discurso durante encontro inter-religioso em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos.

Em 05/02/2019 02:14:00 na sessão Mundo

Foto: Vincenzo Pinto / AFP

Justificar "o ódio e a violência" em nome de Deus é "uma grave profanação", declarou nesta segunda-feira (4) o Papa Francisco em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, em discurso feito durante um encontro inter-religioso internacional.

"Em nome de Deus Criador, é preciso condenar sem vacilação toda forma de violência, porque é uma grave profanação do nome de Deus usá-lo para justificar o ódio e a violência contra o irmão. Não há violência que possa ser religiosamente justificada", disse Francisco.

Papa Francisco, que se tornou o primeiro pontífice a visitar a Península Arábica, fez um apelo à "liberdade religiosa", ressaltando que ela "não se limita apenas à liberdade de culto" e que nenhuma prática religiosa deve ser "forçada" a outra pessoa.

"A liberdade religiosa (...) vê no outro um verdadeiro irmão, um filho da mesma Humanidade que Deus deixa livre e que por consequência nenhuma instituição humana pode forçar", declarou diante de centenas de líderes de várias religiões.

Primeira viagem à Península Arábica

A viagem do Papa Francisco é a primeira de um pontífice à Península Arábica, berço do islamismo. Os países localizados ali, como os Emirados Árabes Unidos, têm a religião de Maomé como oficial - que, inclusive, determina algumas das leis locais.

Na região, apenas uma minoria pratica o catolicismo. Praticamente todos os católicos desses países são trabalhadores estrangeiros.

O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed al-Nahyan, é o homem forte dos Emirados Árabes Unidos, que se orgulha da "coexistência pacífica" entre as religiões em seu país.

No início da visita a Abu Dhabi, o papa participou de uma cerimônia militar: caças sobrevoaram o gigantesco palácio presidencial, liberando uma fumaça amarela e branca, cores da bandeira do Vaticano.

Ele presenteou seu anfitrião com uma medalha representando o encontro, em 1929, em plena Cruzada, entre São Francisco de Assis e o sultão Malek al-Kamel no Egito, um marco nos 800 anos de diálogo entre muçulmanos e católicos.

Fonte: France Presse



Por olharcidade2@gmail.com 05/02/2019 02:14:00

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